A adolescência não é apenas uma fase, é um território de transição intenso, confuso, bonito e, muitas vezes, doloroso. Nesse período acontece a transição do mundo infantil para o mundo “adulto”, mas o adolescente fica sem referência: não se sente criança, nem adulto. E nesse “entre”, surgem dúvidas, conflitos e uma busca profunda por pertencimento.
O que acontece dentro de um adolescente?
Muito mais do que mudanças físicas, a adolescência é marcada por transformações fisiológicas, corporais, emocionais e cognitivas importantes. O cérebro ainda está em desenvolvimento especialmente as áreas ligadas ao controle emocional e tomada de decisão.
Por isso, é comum observar:
- Oscilações de humor
- Impulsividade
- Necessidade de aprovação
- Questionamento de regras
- Intensidade nas emoções
O adolescente costuma ficar sensível, questionador, e ser muito intenso em tudo que faz ou sente e para você que convive com ele, entender essas transformações auxilia numa convivência mais saudável e harmoniosa.
Nessa fase ocorre a construção da identidade e um dos principais desafios desse momento é responder, ainda que inconscientemente: “Quem sou eu?”
Para isso, o adolescente experimenta:
- Estilos
- Grupos
- Ideias
- Comportamentos
Nem sempre essas escolhas refletem quem ele será no futuro, mas fazem parte do processo de construção da identidade. E aqui entra um ponto importante: o erro, o exagero e a contradição não são desvios, são parte do caminho.
E qual é o papel da família? Importante salientar que nesse período os pais revivem sua própria adolescência e se essa foi permeada de conflitos, eles devem ficar mais atentos, por haver uma tendência de repetir padrões comportamentais que são pertencentes ao que fora vivido. Por exemplo: se um dos pais se envolveu com drogas na adolescência, pode ter uma tendencia de achar que o filho também o fará e começar com questionamentos e desconfianças com relação ao filho, gerando conflitos e sentimentos de inadequação e insegurança. O ideal é ter presença sem invasão, mas muitos pais se sentem perdidos nessa fase, pois o filho que antes contava tudo, agora se fecha. Aqui cabe a pergunta: O que esse silêncio significa, qual a mensagem ele nos passa, do que meu filho(a) precisa agora? Lembrando que todo sintoma carrega uma mensagem sobre o que se passa com a pessoa.
O adolescente ainda precisa de referência, segurança e limites, porém, de uma forma diferente e o desafio da família é encontrar o equilíbrio entre:
- Estar presente
- Respeitar o espaço
- Oferecer escuta sem julgamento
- Sustentar limites com firmeza e afeto
Mais do que controlar, é preciso conectar e estar atento a sinais como:
- Isolamento excessivo
- Mudanças bruscas de comportamento
- Tristeza persistente
- Irritabilidade intensa
- Queda no rendimento escolar
- Alterações no sono ou apetite
Esses sinais podem indicar sofrimento emocional mais profundo, como ansiedade, depressão ou dificuldades de adaptação.
E aqui entra um ponto essencial, pedir ajuda não é exagero é cuidado, adolescência não é problema, é processo, ciclo de vida. Existe uma tendência social de olhar para a adolescência como um problema a ser corrigido, quando ela é um processo a ser compreendido.
É nesse período que se desenvolvem:
- Autonomia
- Valores
- Identidade
- Forma de se relacionar com o mundo
Quanto mais acolhimento e orientação o adolescente recebe, maiores são as chances de se tornar um adulto emocionalmente saudável.
Um convite:
Se você é pai, mãe ou responsável, lembre-se, seu filho não precisa de perfeição, precisa de presença. E se você é adolescente: o que você está sentindo faz sentido, mesmo quando ninguém parece entender e você não está sozinho!
A terapia pode ajudar os pais a compreenderem melhor o que se passa com seu filho e como esse momento está ressoando em vocês. E pode ajudar o adolescente na compreensão das mudanças como algo normal e necessário, dando lugar as suas emoções nessa etapa tão importante do ciclo de vida.
Conte com a equipe do Instituto Nexus Vida, clique e se conecte a um profissional.


